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A Pronuncia do Sânscrito - Pedro Kupfer

A pronúncia do sânscrito
Pedro Kupfer


Os primeiros falantes do sânscrito arcaico foram os áryas ou arianos, fundadores da civilização vêdica. Os mais antigos textos da Humanidade, os Vedas, datam da Idade Vêdica, entre o sétimo e o quarto milênio aC. Foram transmitidos com surpreendente exatidão ao longo dos milênios por tradição oral, e transcritos apenas durante o II milênio aC.

William James, que descobriu a origem comum das línguas indo-européias e foi o primeiro estudioso desta língua, escreveu em 1786: “A língua sânscrita, seja qual for a sua antiguidade, possui uma estrutura maravilhosa; mais perfeita que o grego, mais rica que o latim e mais elegantemente refinada que ambos, ela mantém ao mesmo tempo com ambas línguas, tanto no que se refere à raiz dos verbos quanto às formas gramaticais, uma afinidade mais forte que a que pudéssemos esperar quiçá por mero acidente. Tão forte que nenhum filólogo poderia analisar as três línguas sem chegar à convicção de que procedem de uma mesma fonte, que talvez já não exista.”

Ao longo da sua existência, essa língua evoluiu e depurou-se: samskrita significa precisamente refinado, por oposição às línguas prakritas, naturais, vernáculas, porém faladas secularmente. Assimilou todavia influências de linguagens dravídicas e austro-asiáticas como o munda (da mesma família que as línguas Mon-Khmer, da Ásia Oriental), do qual herdou, entre muitas outras, as palavras lingam (signo, falo), pújá (oferenda) e mayúra (pavão). Trata-se de uma língua erudita que a partir do final da Idade Vêdica passou a ser utilizada apenas pelos detentores do conhecimento filosófico e religioso. Isto cria uma série de dificuldades em relação à interpretação do sentido de muitas expressões que não possuem uma tradução direta e precisa em línguas ocidentais. Originalmente preservado como língua sagrada, o sânscrito passa a ser utilizado igualmente com propósitos seculares a partir do período clássico da civilização indiana. Com o surgimento da escrita nágarí , é usado para redigir tratados sobre ritual, filosofia, gramática, astronomia, legislação, etc. O sânscrito clássico, vigente nessa época, se diferencia do mais antigo, falado no período vêdico.

O sânscrito consta de quatorze vogais e trinta e seis consoantes, o que o torna um tanto hermético para os não iniciados: as nuances de pronúncia chegam a ser imperceptíveis aos ouvidos desabituados. Conseqüentemente, muitos dos seus sons são irreproduzíveis em outros idiomas. Não possui acentuação marcada ou forte mas apenas uma sucessão de sílabas curtas e longas, com inflexões tônicas e musicais. O acento sobre a vogal implica alongamento. Os termos utilizados neste livro foram transcritos da sua forma original, conforme a transliteração adotada para o inglês, a fim de conseguir a pronunciação figurada mais aproximada possível dos sons sânscritos. Escolhemos o modelo da transliteração inglesa por ser este o mais amplamente difundido na própria Índia.

A terminação em a determina palavras masculinas ou neutras, o final i ou á pode ser tanto masculino quanto feminino ou neutro, enquanto as palavras terminadas em í são na maioria femininas. Os o e e se pronunciam sempre fechados.

Omitimos alguns fonemas, como os r e l vogais, pois a sua inclusão implicaria a utilização de sinais diacríticos inexistentes nas nossas gráficas. Alguns sons não possuem equivalente em português, pelo que precisamos colocar exemplos em inglês. A transliteração fica então assim:

Vogais e ditongos:

A aberta, curta, como em tatu (púrna);

Á aberta, longa, como em arte (prána);

E sempre fechada, como em dedo (asteya);

I curta, como em idéia (Shiva);

Í longa, como em ali (nádí);

O sempre fechado, como em iodo (Yoga);

U como em união (udána);

Ú longa, como em açude (kúmbhaka);

AI ditongo, como em vai (kaivalya);

AU ditongo, como em pauta (nauli).

Consoantes:

K como em Karina (karma);

KH aspirada, como em inglês, broke-heart (Sámkhya);

G gutural, como em guirlanda (Gítá);

GH aspirada, como em inglês, big-house (Gheranda);

N sem nasalizar a vogal precedente (ánanda);

CH se pronuncia como em tchê (chakra);

CHH também como em tchê (múrchchhá);

J palatal, se pronuncia como em Djalma (japa);

Ñ unicamente antes ou depois de consoantes palatais, como em senha (jñána);

T com a língua no palato, como em terra (tantrika);

TH dental aspirada, como em inglês, lighthouse (hatha);

D com a língua nos dentes, como em dedo (danta);

DH aspirada, como em inglês, bloodhorse (dháraná);

P labial, como em posto (púraka);

PH labial aspirada, como em inglês, top-half (phála);

B labial, como em bomba (bandha);

BH aspirada, como no inglês, nib-head (bhúta);

M nasalizada, como em também (samskára);

Y é semivogal: se pronuncia como o i em viola (yuga);

R sempre como se estivesse no meio da palavra, como em vidro (rája);

L como em iluminar (kundaliní);

V se pronuncia como em volta (vásaná);

W igual a narrow, em inglês (tattwa);

S tem o som de ss, como em passo (ásana);

SH tem o som de ch, como em Sheila (shanka).

H sempre aspirado, como em happy (anáhata);

Z, Q, F são letras e sons que não existem em sânscrito. Têm origem persa e foram assimiladas tardiamente, durante a invasão muçulmana. Se aparecerem em alguma palavra, não é sânscrito! Um exemplo: faquir.


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