Aliança do Yoga

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Yoga para Pessoas acima do Peso

Tamanho GG
Com algumas adaptações, qualquer um pode praticar Yoga, inclusive quem tem alguns quilos a mais

Por Patrícia Ribeiro
Fontes EUA: Dorothy Foltz-Gray

Para a secretária-executiva Débora Albuquerque de Melo, Yoga era uma “ginástica oriental” para pessoas magras, jovens e saradas. Como ela iria fazer aquelas posturas complicadas com 1,60 metro e 81 quilos? Há pouco mais de um ano, ela resolveu experimentar aulas gratuitas na empresa e, para sua surpresa, hoje Débora consegue fazer quase todas as posturas, ganhou qualidade de vida, autoconfiança, flexibilidade, concentração e calma.

Como Débora, muitas pessoas têm noções distorcidas sobre o Yoga. Algumas acham que é algo muito parado, um alongamento para a terceira idade. Por outro lado, a ideia que está se propagando agora — por causa da exposição na mídia das celebridades que praticam Yoga — é que somente pessoas magras e malhadas podem praticar, o que é um conceito completamente errôneo. O Yoga é para todos os perfis: magros, gordos, crianças, adultos e idosos. Os próprios professores sabem que devem quebrar esses preconceitos e mostrar para os interessados que é possível praticar Yoga, mesmo com excesso de peso. “A prática é um convite para todos, principalmente quem busca autoconhecimento, bem-estar, alimentação saudável, corpo mais ativo, disciplina e perseverança. Quando progredimos nas posturas, aos poucos isso leva à mudança de conduta e de atitudes no dia-a-dia tão atribulado: ganhamos concentração, serenidade, menos violência consigo e com o outro e recarregamos as energias mal direcionadas”, explica a psicóloga Jucirema Costa, que aplica técnicas de Yoga no consultório em Santos e é aluna do curso de pós-graduação em Yoga na UniFMU, de São Paulo.

Estes benefícios são comprovados por pesquisas científicas: equilíbrio do metabolismo, redução da pressão arterial, aumento da flexibilidade muscular, tônus, redução da ansiedade e relaxamento mental.

Briga com a balança

Muitas pessoas que têm problemas de peso também têm baixa estima, ansiedade e até depressão. Como o Yoga é uma atividade que trabalha o corpo e a mente, depois de um tempo de prática regular, elas sentem uma diferença muito grande nos níveis físico e emocional. Foi o que aconteceu com a agente de viagens Isabel Cristina Garcia, de 54 anos, 1,46 metro e 61 quilos. Ela sempre viveu uma batalha para perder peso, inclusive tomando medicamentos fortes que causavam efeitos colaterais. Ela perdia peso rapidamente, mas depois que parava com a medicação, recuperava todos os quilos perdidos. “No começo, fui praticar Yoga por causa de um problema de tendinite, mas relutei muito em ir, pois era muito sedentária e achava que não era capaz de fazer aqueles exercícios.” Praticando há quatro anos na mesma escola, Prema Yoga, em São Paulo, os primeiros resultados começaram a aparecer em pouco tempo. “Minhas dores sumiram. Raramente preciso tomar remédios para tendinite.” Aos poucos, foi ficando mais ágil, flexível, mais preocupada em ter uma alimentação saudável e mais disposta. “Percebi também que os quilos a mais não me incomodam tanto. Quando era mais jovem, queria ser magra, não gostava do meu corpo. Hoje quero ter qualidade de vida, saúde e prazer de fazer as coisas de que gosto. Sou uma pessoa sociável, adoro confraternizar com os amigos e tomar uma cervejinha de vez em quando. Não vou deixar isso para ser magra, quero é ser feliz e o Yoga me proporciona isso, estar bem comigo mesma, saúde e paz de espírito”, conta.

Para o pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Unifesp e professor de Fisiologia do Comportamento da PUC de São Paulo, Ricardo Monezi, a autoestima está muito ligada ao autoconhecimento. “Diante de um desafio, como o controle de peso, o processo de aceitação do corpo requer, sobretudo, um pensar profundo a respeito não apenas do peso em si, mas sobre os fatores cotidianos que estão gerando esse problema. Nesse ponto, as práticas do Yoga, principalmente os exercícios de meditação, constituem-se como fortes instrumentos que podem levar a pessoa a refletir, conhecer e aceitar melhor a si mesma.”

De fato, a maioria das mulheres não está satisfeita com a própria aparência ou peso, basta perguntar a qualquer uma delas. De acordo com Linda Smolak, professora de psicologia do Kenyon College em Gambier, Ohio, e especialista em distúrbios alimentares, “para muitas mulheres, o corpo é definido como um objeto a ser olhado e julgado. E como assimilamos essa mensagem? Por provocações, assédio sexual, comentários dos pais e, é claro, pela mídia. As mulheres são constantemente levadas a querer um ideal de beleza inalcançável”, diz.

Com o autoconhecimento que a pessoa adquire pela prática de Yoga, os padrões externos passam a ter menos importância e ela começa a focar mais suas qualidades, não seus defeitos. A psicóloga Jucirema Costa nota que os praticantes do mundo real são bem diferentes daqueles que aparecem na mídia. “Onde pratico há pessoas de diversos grupos, sendo a maioria diferente das pessoas magras, em posturas de contorcionismo que sempre vemos nas revistas. São pessoas de idades variadas, na maioria mulheres, com um corpo mais cheinho, mas que no decorrer do ano vão ganhando tônus, flexibilidade, postura adequada, aceitação de suas limitações, pois o importante é o como se faz, não o quanto ou o que se faz, buscando a aquietação da mente”, explica.

O objetivo da prática de Yoga não é a perda de peso, mas algumas pessoas acabam emagrecendo um pouco, pois ao adquirir maior consciência corporal e tornando-se menos ansiosas, começam a comer menos e mudam os hábitos alimentares. E, com o aumento da autoestima, se cuidam mais. “Cheguei a perder oito quilos. Antes era muito ansiosa e descontava tudo na comida. Agora me sinto tão calma, tão centrada, que como menos”, conta Débora. O pesquisador Ricardo Monezi acredita que o primeiro passo para quem quer controlar o peso é reduzir a ansiedade. “Depois disso, desviar o foco do alimento como sendo o maior dos agentes promotores de bem-estar. Devemos achar outras fontes de prazer que não sejam comestíveis! Os exercícios de Yoga, por exemplo, reduzem a ansiedade e causam uma grande sensação de bem-estar por trabalharem não apenas a dimensão física por meio dos asanas, mas sobretudo as dimensões psíquicas nos exercícios de meditação e respiração”, complementa.

Aula adaptada

Algumas posturas realmente podem ser bem mais difíceis de ser executadas por pessoas acima do peso. As gordurinhas atrapalham, mas elas não devem se sentir mal por causa disso, pois existem adaptações para que possam executá-las. Os professores de Yoga devem estar atentos para não constrangerem seus alunos gordinhos pedindo que eles executem asanas que exigem mais sem uma variação. Cabe a eles dar atenção especial e fazer com que os alunos se sintam o mais à vontade possível junto aos demais. “Posso dizer, sem nenhuma ressalva, que tenho alunos acima do peso que conseguem realizar as posturas com tranquilidade e, quando acho necessário, adapto as posturas com faixas, almofadas e bolster, para que o aluno atinja o relaxamento no esforço, que é a grande premissa de um asana. Alerto ainda aos alunos que uma aula de Yoga não é feita apenas de asanas. Também fazem parte os pranayamas (exercícios respiratórios), que são a principal ferramenta para acalmar a ansiedade e o estresse, o prathyahara (abstração dos sentidos), o dharana (concentração), o dhyana (meditação) e o samadhi (iluminação)”, explica a professora Thaís Godoy Bobbio, que dá aulas no Shivalaya, em São Paulo, é naturóloga e faz pós-graduação em Medicina Comportamental pela Unifesp, onde desenvolve um trabalho de práticas de Hatha Yoga voltada a pacientes com distúrbios de comportamento como ansiedade, estresse, depressão e pânico.

Aluna de Thaís, Débora sentia muita dificuldade no começo, mas persistiu. “A professora fez as adaptações dos asanas para que eu conseguisse fazer. Assim, não me sentia excluída do grupo”, conta. “Os melhores benefícios que o Yoga me trouxe foram o aumento da autoestima, a autoaceitação e a melhoria do relacionamento com outras pessoas”, complementa.

Um passo de cada vez

Se você não se sente confortável com seu corpo, a primeira visita a uma escola de Yoga pode ser intimidadora. Mas vale a pena tentar. “A melhor atitude é tentar fazer algo com o corpo”, diz Ana Forrest, que já sofreu de bulimia e hoje dirige o Forrest Yoga Institute, em Santa Monica, Califórnia. “Isso ajuda a ficar conectado com o aqui e agora.” Siga estas dicas para começar.

- Telefone. Pesquise e entreviste professores até encontrar alguém experiente em modificar as posturas para todos os tipos de corpos. “Você precisa ir a um lugar onde as pessoas estão dispostas a ajudá-lo a superar qualquer tipo de desafio.Você não precisa ter vergonha ou se sentir humilhado”, diz Ana.
- Vista-se confortavelmente. Roupas feitas com materiais que esticam são úteis — deixam que o professor possa examinar o alinhamento do praticante —, mas podem expor mais o corpo do que você está acostumado. O mais importante é escolher roupas com as quais você se sinta bem.
- Converse com o professor. Se puder, converse em particular com seu professor sobre sua relação com o corpo e sua condição de iniciante, para que ele possa modificar as posturas.
- Ouça. Perceba como seu corpo se sente em um asana e preste atenção às emoções que podem surgir na aula. O Yoga pode trazer à tona sentimentos escondidos de abusos e traumas.
- Cometa erros. Dê a si mesmo várias aulas de posturas básicas e restaurativas para diminuir o desconforto de praticar com pessoas que não conhece. Espere se sentir desajeitado, é parte do aprendizado. “Tudo que tem a fazer é se mostrar”, afirma Ana.
- Comprometa-se. Melhorar a relação com o corpo não é fácil, e em algum ponto atingirá um limite. “A frustração surgirá. Reconheça esse sentimento e continue praticando”, complementa a professora. (Laura Ladoceour)

Matéria retirada da revista PYJ – Edição 25. Fevereiro de 2009.
Acesse o site: www.eyoga.com.br

 

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