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Asanas e Vida Real - Paulo Vieira

Ásanas e vida real
Paulo Vieira

No ocidente o Yoga é geralmente conhecido como sendo um conjunto de posturas que se fazem com o corpo. O Yoga é muito mais do que um conjunto de exercícios físicos ou de técnicas de respiração e relaxamento sendo completamente redutor defini-lo dessa forma.

O Yoga é um corpo de conhecimento muito antigo, extenso e profundo com a capacidade extraordinária de revelar a natureza humana e do cosmos, proporcionando ao Yogi a oportunidade de se livrar de todos os condicionamentos que o tornam aparentemente um ser limitado e incompleto.

Sendo extremamente completa, esta arte milenar propõe um conjunto de “disciplinas” possibilitando ao praticante a aprendizagem de vários conhecimentos que se interligam de forma harmoniosa.

Uma destas “disciplinas” ou partes tem como objecto de estudo e prática o corpo humano. Através de muitos e diferentes ásanas (posturas psico-físicas) o praticante reconstrói o seu corpo, tornando-o mais forte, mais flexível e mais saudável. Porém os ásanas não são simplesmente exercícios físicos e energéticos, os ásanas também proporcionam estados emotivos e desencadeiam fluxos de pensamentos, fluxos estes que estão intimamente ligados especificamente a cada ásana . Os ásanas poderão originar extroversão, introversão, frustração, contentamento, etc., sendo que cada praticante vivencia de forma diferente os diferentes e inúmeros ásanas.

Segundo Patanjali, sábio e autor dos Yoga Sutras, ásana é o terceiro anga (parte) do Ashtanga Yoga de Patanjali (Yoga de oito partes ou Raja Yoga – Yoga Real ). Segundo este famoso sábio ásana vem depois de yama e niyama, sendo estes dois respectivamente códigos de conduta de comportamento social externos e códigos de conduta comportamentais internos. Yama e niyama são as fundações pelas quais o Yogi cresce e se desenvolve, e sem estas fundações a pratica de ásanas não passa de contorcionismo e de exibicionismo como se vê no circo. Os yamas e niyamas não podem de modo algum deixar de existir para um praticante sério e isto que fique bem claro.

Os yamas são cinco – ahimsa (não violência), ashteya (não roubar), satya (ser verdadeiro), bramhacharya (contenção sexual), aparigraha (não possessividade); os niyamas são cinco – saucha (limpeza, pureza), santosha (contentamento), tapas (esforço sobre si próprio), svadhyaya (dedicação ao estudo do auto-conhecimento), íshvarapranidhana (entrega ao absoluto no que diz respeito ao resultado das acções).

O yogi deverá firmar-se no estudo e no cumprimento dos yamas e niyamas com a mesma dedicação que estudar e praticar ásanas.

Uma casa começa sempre a ser construída pelas fundações, nunca pelo telhado! Se as fundações forem fortes e seguras as paredes da casa terão a possibilidade de serem mais sólidas e resistentes, podendo então sustentar um telhado. Assim é com o praticante, se os valores éticos de conduta forem fortes a sua prática de ásana será firme e segura e o praticate chegará aos mais altos e nobres resultados.

O praticante que conseguir aplicar os yamas e niyamas na sua prática de ásanas (alguns são aplicáveis - por exemplo ahimsa, isvara pranidhana) terá uma atitude perfeita, e claro está que esta mesma atitude deverá ser estendida à vida de uma forma geral e na relação com os demais seres vivos. De que serve o conhecimento se não é aplicável?

Enquanto treina ásanas, o yogi está completamente alerta e atento de todas as suas flutuações mentais, está completamente ciente da sua condição energética e completamente consciente das suas limitações físicas. Cultiva um estado contemplativo e de aceitação com todas as experiências que surgirem, percebendo-se como parte integrante da natureza.

A “vida em cima do tapete” (para a prática de ásana usa-se geralmente um tapete antiderrapante e isolante) é como um tubo de ensaio ou um processo cientifico, onde o yogi se experiencia e se aperfeiçoa, acumulando conhecimento sobre si mesmo, para que depois o possa por em prática na “vida fora do tapete”, tornando-se um ser mais feliz e justo. Aquilo que vai sendo testemunhado internamente durante a prática de ásanas é naturalmente distinto daquele que testemunha. O que é testemunhado tem natureza impermanente e aquele que testemunha permanece constante. O corpo está naturalmente diferente de dia para dia, os pensamentos estão constantemente a mudar e a energia que habita o corpo oscila equilibradamente, porém a consciência de todas estas mudanças está sempre presente, nunca desaparece. O yogi aprende a fazer a distinção entre o real e o ilusório, entre o seu Ser e o seu complexo corpo/mente/ energia, tirando deste processo uma satisfação e paz profundas.

O yogi relaciona-se consigo mesmo de uma forma produtiva e saudável, aprendendo lentamente e progressivamente sobre as diversas camadas que o constituem, da mais densa à mais subtil, desde o corpo propriamente dito até ao seu subconsciente, desvendando por fim a sua própria natureza que é a essência de todas as coisas e de tudo o que existe.

A prática de ásana é uma excelente forma de aprender a aceitar condicionamentos, uma prática abordagem filosófica, e também uma forma de aprender a identificar e assimilar o conhecimento dos yamas e niyamas . É também uma excelente forma de abordar o princípio do dia, acordando e preparando o corpo e a mente para a maratona de momentos que se seguem na vida quotidiana. Ao fim da tarde a prática é mais energizante e remove as tensões que eventualmente se foram acumulando durante o dia.

Recomenda-se a prática consciente e inteligente de ásanas, pois com saúde, consciência e inteligência a vida prolonga-se e torna-se mais feliz e completa, e este é um facto que não pode ser negado sendo obviamente um bem para a humanidade.

Acesse o site: www.dharmabindu.com

 

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