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Textos

Ponto de Equilibrio - Meditação

Desenvolver a atenção com simples rotinas para balancear a energia e a concentração. Pronto para meditar?

Por Janice Gates
Tradução: P. Ribeiro

A meditação pode ser desafiadora. Mesmo que você já conheça os benefícios, como quietude interna, clareza e conexão profunda, o ato de apenas sentar-se e ficar quieto pode ser muito difícil. Se você é como a maioria das pessoas, que um dia acorda agitado e não consegue ficar parado e no dia seguinte está tão letárgico que mal consegue abrir os olhos e sair da cama, não se sinta desmotivado. O bem-estar proporcionado pela meditação não acontece em um passe de mágica. Mas há alguns passos para ajudá-lo a chegar lá: pela respiração poderá usar o fluxo do prana (energia vital) para aumentar, diminuir e focar sua energia, levando-o a um estado de equilíbrio que tornará mais fácil sentar e meditar.

O prana flui por meio de canais de energia chamados nadis; as três principais nadis são sushumna, o canal central ao longo da coluna através do qual a kundalini, a energia espiritual, ascende; e ida e pingala, que se iniciam em um dos lados da sushumna no formato de um duplo espiral na direção de baixo para cima. O prana é ativado com a respiração e na mente (que inclui os pensamentos, as imagens mentais e as emoções). Uma mudança nesse padrão modifica tudo. Por meio da respiração, você poderá abrir, regular e direcionar o fluxo do prana que estabilizará a mente e o corpo. Dependendo do seu humor e do nível de energia, a seqüência de asanas e pranayamas o ajudará a ir do estado de agitação para o relaxamento, da fragmentação para a integração. A ênfase em cada seqüência é relacionar movimentos lentos e cuidadosos com a respiração e criar uma transição dinâmica e fluida para integrar mente e corpo. Cada série é repetida várias vezes durante a extensão da expiração e da inspiração, e as pausas entre elas mudam progressivamente. Às vezes, você necessitará despertar e outras vezes, acalmar-se. Deverá combinar esses estados e focar as energias. Mas para entender o que precisa, é necessário entender como sua energia está no momento.

O que está sentindo?
Comece deitando-se com as costas no solo e as pernas estendidas. Esteja consciente de cada parte do seu corpo e note como reage. Começa a relaxar ou encontra alguma resistência? Feche os olhos e sinta o peso do crânio e da pélvis e as costas no solo. Há alguma parte que fica mais em contato com o solo que as outras? Então, mentalmente, veja cada parte do seu corpo começando pelos dedos dos pés e vá subindo pelas pernas, pélvis, lombar, coluna e ombros. Depois vá para os braços, para as mãos e passe pelo pescoço e a cabeça. Há alguma parte que sente desconforto e outras mais rígidas? Sente frio, calor ou dormência? À medida que observa cada parte, não tente julgar ou analisar suas descobertas, apenas preste atenção no presente.

Agora leve sua atenção à espinha dorsal. Imagine um rio extenso que começa na base da lombar e sobe até o topo do crânio. O rio corre livremente? Há alguma área bloqueada, estreita ou estagnada? Agora, foque no corpo como um todo. Perceba se há alguma sensação forte remanescente e áreas que pedem mais atenção. Note a qualidade, a textura e o ritmo da sua respiração. É curta e agitada ou longa e suave? Tem a tendência de segurar a respiração depois de expirar ou inspirar? Perceba a relação entre respiração, corpo e pensamentos. Agora verifique o padrão dos pensamentos na sua mente. Fica pensando em uma lista de coisas a fazer? Repensa sobre alguma conversa ou plano para o futuro? Você fica distraído ou centrado? Quando os pensamentos vêm, há alguma reação física no corpo ou na respiração? Coloque a mão no coração e sinta as batidas cardíacas, seu peito subindo e descendo conforme a respiração. Deixe a sua atenção entrar nesse ritmo e depois tente ficar mais atento às emoções. Sente tristeza, alegria ou ansiedade?

Não entre em nenhuma dessas sensações mais profundamente, apenas se dê conta do que está sentindo naquele momento. Perceba a relação entre o seu estado emocional e a respiração, entre os sentimentos e o corpo físico. Finalmente, perceba todas as dimensões juntas: física, energética, mental e emocional. Perceba qual parte de você está observando. Agora relaxe com a atenção focada. Lembre-se de que suas observações podem mudar diariamente, dependendo da hora, da agenda e de todas as variáveis que afetam a sua energia e humor. Se observou que sua respiração está mais difícil, sua mente inerte e o coração pesado, tente uma prática energizante. Sua respiração está rápida, a mente agitada e o corpo tenso? Tente uma prática calmante. Sente-se disperso e desorientado? Uma prática mais centrada o ajudará a encontrar o equilíbrio. Ouça a sua mente, o corpo e o coração para guiá-lo sobre qual prática trará equilíbrio e atenção para dentro de si mesmo.


Mãos à obra
Para praticar qualquer uma das técnicas de pranayamas das páginas seguintes, você usará o mudra do cervo quando fechar as narinas alternadamente. Para fazer este mudra, dobre o dedo indicador e o dedo médio da mão direita até a base do polegar direito. Coloque o polegar para fora da narina direita, e o anelar para fora da narina esquerda. Pode ver sua face? Note que o polegar e o dedo anelar parecem chifres de cervo. Acredita-se que fechar a narina direita para respirar com a esquerda cria uma sensação de calma e receptividade e fechar a esquerda para respirar com a direita energiza e revigora, e por isso se alterna a respiração para equilibrar as energias. Lembre-se de nunca forçar a respiração. Se é iniciante em pranayamas, peça ajuda a um professor de Yoga.

Janice Gates é presidente da Associação Internacional de yogaterapeutas e autora de Yogini: O poder das mulheres no Yoga

Publicado na Prana Yoga Journal 13
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