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A Palavra e o que ela Revela - Swami Dayananda Saraswati

Por Swami Dayananda Saraswati

Swamiji, como podem as palavras, que são limitadas na natureza e que se referem a objetos, revelarem o que é ilimitado e que não pode ser objetivado?

As palavras não revelam diretamente. Na premissa, "As palavras revelam o ilimitado", por exemplo, a questão é se as palavras são palavras conhecidas ou palavras desconhecidas. As palavras conhecidas revelam o ilimitado que é Brahman, que não nos é conhecido até agora ou as palavras desconhecidas é que revelam Brahman?

As palavras conhecidas não podem revelar Brahman, porque todas as palavras conhecidas são as palavras que nós reunimos para descrever as coisas que nós já conhecemos, as quais são de natureza limitada, como um pote, por exemplo. Todas estas palavras conhecidas são as palavras que tratam de gênero ou espécies (jati), atributos (guna), ações (kriya) e relacionamentos (sambandha).

Por exemplo, quando você diz "vaca", a palavra revela um objeto genérico, o que significa que existem muitas vacas. A palavra "vaca" se refere a um determinado animal e qualquer animal tenha o significado da palavra "vaca", nós o chamamos de "vaca". Palavras, então, podem revelar um objeto genérico, um substantivo.

Uma vez que um objeto genérico tenha sido identificado, as palavras podem ainda revelarem certos atributos que se aplicam a esse substantivo em particular, como o de uma vaca branca. Ou eles podem revelar uma ação, uma vaca pastando. As palavras também podem revelar uma relação ou conexão, como mãe ou amigo. As palavras, então, geralmente, revelam ações, relações, atributos ou substantivos particulares com um genérico, o status individual, os quais são finitos.

Se Brahman é infinito ou ilimitado, naturalmente, as palavras não podem revelar isso. Portanto, as palavras conhecidas que nós temos não podem revelar Brahman.

Talvez, então, as palavras desconhecidas podem revelar aquilo que é desconhecido, Brahman. Elas não podem, porque as próprias palavras são desconhecidas. Palavras desconhecidas não podem revelar outra coisa desconhecida. Elas só podem associar Brahman, ambos, as palavras e Brahman sendo desconhecidos.

Se as palavras desconhecidas não podem revelar Brahman, nós temos que usar palavras conhecidas. Certas palavras conhecidas são escolhidas e estas têm uma conotação especial. As palavras podem revelar um objeto, diretamente ou implicitamente. Aqui, elas revelam o que está implícito (laksya) por implicação (laksna).

As palavras que usamos para revelar Brahman, então, são todas laksnas, satyam, jnanam, anantam, e assim por diante. Satyam significa "é", que é algo que conhecemos. Em geral, "é" significa que algo existe e esta existência é sempre em termos de tempo.

Portanto, conhecemos satyam apenas como algo que existe dentro do tempo, teoricamente falando. "É" significa, então, que a coisa ainda não está desaparecida. Isso é o que chamamos limitado pelo tempo. O conceito de "é" é que o que existe é sempre limitado pelo tempo.

Mas sobre Brahman é dito ser satyam e não limitado pelo tempo (anantam-satyam). A palavra anantam libera a palavra satyam do conceito de tempo-limite e permite que ela mantenha o seu significado original. O significado original é "existência", mas o significado explicado, o significado mais comumente conhecido para esta palavra, é "a existência no tempo." E este tempo é negado pela palavra anantam. Esta negação deve ser feita a fim de conhecer Brahman.

Na expressão do sruti, satyam-jnanam-anantam-brahman, a raiz do significado de satyam, a existência, é mantida, enquanto que a existência de tempo limitada, a que comumente compreendemos, o condicionamento do tempo, é removido. Isso significa que Brahman é de existência eterna.

Então, novamente, é dito que o Brahman é consciência (chaitanyam), o qual é conhecimento (jnanam). Portanto, "jnanam" é também um lakshna. O conhecimento pode ser de qualquer coisa, o conhecimento de um pote, o conhecimento de um pano e assim por diante. Mas, Brahman é tanto anantam-jnanam e satyam- jnanam, o conhecimento que não muda, que é invariável, sempre o mesmo.

Brahman não é o conhecimento disto ou daquilo, mas o conhecimento como tal, é o conhecimento ilimitado. O conhecimento de qualquer coisa não pode ser ilimitado. O conhecimento de qualquer uma coisa significa que não é o conhecimento de mais nada, portanto não é conhecimento ilimitado. Tendo negado o aspecto limitado do conhecimento, o conhecimento é liberado de todas as limitações.

O que resta é conhecimento ilimitado, consciência, a qual é variável em todas as formas de conhecimento. Portanto, a consciência é satyam e este satyam-consciência de Brahman é ilimitado. Deste modo, então, é como Brahman é revelado por palavras conhecidas, por implicação, (laksna), sozinho, não como o significado direto dessas palavras.

Om Tat Sat!

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Satsang com Swami Dayananda Saraswati realizado no Arsha Vidya Gurukulam de Saylorsburg, EUA.

Traduzido por Humberto Meneghin: http://yogaemvoga.blogspot.com/

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