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Pulsologia Chinesa: o Estudo Moderno e a Prática Clássica

Resenha da palestra proferida no IV Simpósio Brasileiro de Aperfeiçoamento em Acupuntura e Terapias Orientais do Centro Internacional de Estudos em Fitoterapia, Acupuntura e Terapias Orientais (CIEFATO)

por Bruno Nothlich


Nesta palestra vou abordar o tema da pulsologia chinesa. Acredito que para um praticante ocidental compreender um assunto tão vasto e tão complexo é necessário saber distinguir, organizar, analisar e aplicar as muitas concepções chinesas que se encontram emaranhadas e, não raro, originando incompreensões diversas.

Sei que muitos acupunturistas rejeitam a idéia de que somos orientados pela razão cartesiana. Sei também que é dito por seus professores que é necessário “pensar como um chinês” para entender a Medicina Tradicional Chinesa. No entanto, preciso dizer o quanto isso é impossível e improvável. À um ocidental só seria possível pensar desse modo caso dominasse o idioma chinês (e as suas categorias de raciocínio) há longos e longos anos.

E sabendo que este não é o caso, eu sugiro raciocinarmos a medicina chinesa mediante as nossas próprias categorias de pensamento. Isto, porém, não significa dizer que devemos lançar um olhar etnocêntrico (e nefastamente científico) sobre a cultura milenar do oriente. De fato, não conseguiremos “pensar como chineses”, mas podemos, e devemos, pensar como é que os chineses pensaram a sua medicina. E faremos isto utilizando as ferramentas teóricas da sociologia e da filosofia do ocidente.
Neste sentido, proponho três abordagens para a pulsologia chinesa.
Abordagem Sistemática
A primeira abordagem consiste na exposição didática dos vinte e oito tipos de pulso a fim de sistematizar o aprendizado. E fazendo assim, definir as características físicas de cada pulso, descrever a natureza yin-yang deles, detalhar sua técnica de palpação e situar quais as situações patológicas onde aparece cada um desses vinte e oito pulsos. Essa abordagem é bastante simples e é a mais utilizada nos cursos de acupuntura. No entanto, considero importante ressaltar que isto tende à superficialidade quando não apoiado por uma reflexão bem mais aprofundada acerca das origens, das mesclas e das aplicações da pulsologia chinesa.

Abordagem Analítica
No sentido de não permanecer na superficialidade, a segunda abordagem vem embasar o estudo do pulso. Partindo das pesquisas sociológicas sobre as escolas de pensamento da medicina chinesa e fazendo uso das categorias da filosofia ocidental vamos buscar compreender como:

diferentes racionalidades, desde a dinastia Zhou até a República Comunista, se aglutinaram ao longo da história de modo a compor aquilo que se nomeia conhecimento do pulso;
perceber que esse conhecimento se organizou à revelia de uma coerência sistemática (como ocidental gostaria!);
e refletir que na medicina chinesa não há uma única pulsologia, e sim, dezenas que coexistem ao mesmo tempo dentro do exame e das interpretações do diagnóstico pelo pulso (o que causa muitos conflitos).
Abordagem Prática
É o passo adiante das abordagens didática e analítica. Constituí-se de duas frentes: (1) treinar a identificação dos pulsos; e (2) praticar a racionalização do diagnóstico. Isto nos conduzirá a um estudo racional e a um estudo táctil da pulsologia chinesa.
No estudo racional acho positivo nos atermos à cinco processos mentais: enumeração, descrição, definição, classificação e comparação dos pulsos e sintomas apresentados pelo paciente. Esta forma de raciocínio foi tanto praticada por Confúcio (e influenciou vários clássicos da medicina chinesa), quanto por Hipócrates, o pai da medicina ocidental.
No estudo táctil é necessário seguirmos o método e a técnica tradicionais.

O Método
O método do pulso é chamado de Pressão dos Grãos de Arroz. Foi descrito nos três principais clássicos da pulsologia chinesa, a saber: Mai Jing (Clássico do Pulso), Jia Yi Jing (Clássico sistemático) e Bin Hu Mai Xue (Estudo de Pulso de Bin Hu).
O método consiste em pressionar uniformemente com os dedos indicador, médio e anelar nas posições cun (polegar), guan (barreira) e chi (pé) a fim de progressivamente atingir o pulso do paciente em cinco níveis. Esses níveis correspondem à: pele, vasos, músculos, tendões e ossos. No nível da pele faz-se uma pressão equivalente a três grãos de arroz; no nível dos vasos faz-se uma pressão de seis grãos de arroz; no nível dos músculos faz-se uma pressão de nove grãos de arroz; no nível dos tendões faz-se uma pressão de doze grãos de arroz; e no nível dos ossos faz-se uma pressão com os dedos até sentir o osso rádio.
A importância do método está no fato de que somente através da prática da Pressão dos Grãos de Arroz o acupunturista desenvolverá as habilidades necessárias para conseguir executar a técnica do pulso.

A Técnica
É conhecida pela denominação clássica de As Sete Buscas e As Nove Localizações. Com ressalvas tanto históricas quanto à utilização da mesma, podemos dizer que a técnica foi descrita no Nan Jing (Clássico das Dificuldades). Oposta e complementar ao Método dos Grãos de Arroz, a técnica consiste em pressionar alternadamente com os dedos sobre o pulso do paciente.
Sua execução ocorre da seguinte forma: primeiro fazer pressão leve, pressão moderada e pressão profunda em cada uma das três posições no intuito de encontrar a profundidade do pulso. Depois comparar o pulso esquerdo com o pulso direito para distinguir a natureza da moléstia. E por fim, pressionar alternadamente sobre as posições cun e chi para e verificar as nuanças quanto ao ritmo da pulsação.
As Sete Buscas e As Nove Localizações visa encontrar o pulso, identificar sua tipologia e saber como está o movimento desarmônico do qi-xue. E desta forma proceder o diagnostico através do pulso.

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