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Textos

Diálogo entre Narada e Sanatkumara - Chandgya Upanisad

Texto Introdutório e Tradução por Pedro Kupfer

Chāndogya Upaniṣad. Parte Sete, Capítulo I — Os Nomes como Brahman.

Oṁ. Nārada se aproximou de Sanatkumāra dizendo: “Venerável senhor, por favor instrua-me”. Sanatkumāra disse a ele: “Por favor, diga-me o que você já sabe. Depois irei lhe dizer o que há mais além (daquilo que já sabe)”. || 1 ||

Nārada disse: “Venerável senhor, conheço o Ṛgveda, o Yajurveda, o Sāmaveda, e o Athārva como o quarto Veda, os Itihasas e Purāṇas como o quinto. Conheço o Veda dos Vedas (a gramática), as regras dos sacrifícios pelas quais os homen são gratificados, a ciência dos números, a ciência dos portentos, a ciência do tempo. A lógica, a ética, a etimologia, Brahmavidyā (neste contexto, a ciência da pronúncia, a dos ceremoniais e a da prosódia), a ciência dos seres elementais, a ciência das armas, a astronomia, a ciência das serpentes e as belas artes. Tudo isso eu conheço, venerável senhor. || 2 ||

“Porém, disso tudo, venerável senhor, tudo o que sei são palavras apenas. Eu não conheço o Ser. Ouvi de pessoas como você que aquele que conhece o Ser supera o sofrimento. Estou tomado pela aflição. Você pode, venerável senhor, me ajudar a atravessar o (mar do) sofrimento, até a outra beira?” Sanatkumāra lhe disse: “Tudo aquilo que você leu foram nomes”. || 3 ||

“Verdadeiramente, o nome é o Ṛgveda, assim como igualmente o Yajurveda, o Sāmaveda e o Athārvaveda como o quarto, os Itihasas e Purāṇas como o quinto, o Veda dos Vedas, as regras dos sacrifícios pelas quais os homen são gratificados, a ciência dos números, a ciência dos portentos, a ciência do tempo, a lógica, a ética, a etimologia, a pronúncia, a prosódia e os ceremoniais, a ciência dos seres elementais, a ciência das armas, a astronomia, a ciência das serpentes e as belas artes. Medite sobre o nome”. || 4 ||

“Aquele que medita sobre o nome como Brahman pode, pela força da própria vontade, chegar tão longe quanto o nome chega, aquele que medita no nome como Brahman”. Nārada disse: “Venerável senhor, há algo que seja maior que o nome?” Sanatkumāra respondeu: “É claro que há algo maior que o nome”. “Por favor, desejo saber o que é isso, venerável senhor”. || 5 ||

Capítulo II — A Fala como Brahman.

“A fala é, de fato, maior que o nome. A fala possibilita a compreensão do Ṛgveda, o Yajurveda, o Sāmaveda e o Athārvaveda como o quarto, os Itihasas e Purāṇas como o quinto, o Veda dos Vedas, as regras dos sacrifícios pelas quais os homen são gratificados, a ciência dos números, a ciência dos portentos, a ciência do tempo. A lógica, a ética, a etimologia, a pronúncia, a prosódia e os ceremoniais, a ciência dos seres elementais, a ciência das armas, a astronomia, a ciência das serpentes e as belas artes, assim como o céu, a terra, o ar, o espaço, a água, o fogo, os deuses, os homens, o gado, as aves, as ervas, as árvores, os animais, junto com os vermes, as moscas e formigas, bem como o certo e o errado, o verdadeiro e o falso, o bom e o mau, o prazeroso e o não prazeroso. De fato, se não houvesse fala, nem o correto nem o incorreto seriam conhecidos, nem o certo nem o errado, nem o prazeroso e o não prazeroso. A fala, certamente, nos permite conhecer tudo. Medite sobre a fala”. || 1 ||

“Aquele que medita sobre a fala como Brahman, de livre vontade, irá alcançar tudo aquilo que a fala alcança, aquele que medita sobre a fala como Brahman”. Nārada disse: “Venerável senhor, há algo que seja maior que a fala?” Sanatkumāra respondeu: “É claro que há algo maior que a fala”. “Por favor explique-me isso, venerável senhor”. || 2 ||

Capítulo III — A Mente como Brahman.

“A mente é, certamente, maior que a fala. Assim como o punho fechado segura duas amalakas, duas ameixas, ou dois akṣas, da mesma maneira a mente segura a fala e o nome. Pois quando um homem evoca em sua mente os hinos sagrados, de fato os lê. Quando ele pensa que faz ações, as realiza. Quando pensa que terá filhos e gado, os deseja. Quando pensa que obterá este mundo e do além, os deseja. A mente é de fato o Ser. A mente é o mundo. A mente é Brahman. Medite sobre a mente”. || 1 ||

“Aquele que medita sobre a mente como Brahman pode, de própria vontade, chegar tão longe quanto a mente chega. Aquele que medita na mente como Brahman”. Nārada disse: “Venerável senhor, há algo que seja maior que a mente?” “É claro que há algo maior que a mente”, replicou Sanatkumāra. “Por favor explique-me isso, venerável senhor”. || 2 ||

Capítulo IV — O Desejo como Brahman.

“O desejo (saṅkalpa) é, de fato, maior que a mente, pois quando um homem deseja, pensa com a mente, logo verbaliza seu desejo através da fala e emprega a fala para dizer os nomes. Os hinos sagrados estão incluídos nos nomes e todos os rituais estão incluídos nos hinos sagrados. || 1 ||

“O desejo, de fato é o objetivo de todo aqueles que começam com a mente e terminam com o ritual, pois do desejo eles surgem e no desejo eles moram. Céu e terra são desejados, ar e espaço são desejados, água e fogo são desejados. Através dos desejos do céu, da terra e demais, a chuva deseja; através do desejo da chuva, o alimento deseja; através do desejo do alimento, o prāṇa deseja; através do desejo do prāṇa, os hinos sagrados desejam; através do desejo dos hinos sagrados, os rituais desejam; através do desejo dos rituais, o mundo deseja; através do desejo do mundo, tudo deseja. É assim que o desejo é. Medite sobre o desejo”. || 2 ||

“Aquele que medita sobre o desejo como Brahman pode, por vontade própria, chegar tão longe quanto o próprio desejo chega, aquele que medita sobre o desejo como Brahman”. Nārada disse: “Venerável senhor, há algo que seja maior que o desejo?” Sanatkumāra respondeu: “É claro que há algo maior que o desejo”. “Por favor explique-me isso, venerável senhor”. || 3 ||

Capítulo V — A Ponderação como Brahman.

“A ponderação (chitta) é, de fato, maior que o desejo. Pois, quando um homem pondera, pode desejar, quando pensa, quando fala, quando verbaliza um nome. Os hinos sagrados estão incluídos nos nomes e todos os rituais estão incluídos nos hinos sagrados”. || 1 ||

“A ponderação é, de fato, o objetivo de todos aqueles que começam com a mente e terminam com o ritual; da ponderação surgem e na ponderação habitam. Portanto, se faltar ponderação a alguém, embora possua muito conhecimento, os demais dirão dele que não é nada e que aquilo que conhece é inútil pois, se de fato fosse realmente instruído, não lhe faltaria ponderação. Porém, se uma pessoa é ponderada, embora saiba pouco, os demais terão prazer em escutá-la. A ponderação, de fato, é o objetivo desses todos. A ponderação é o Ser. A ponderação é o suporte. Medite sobre a ponderação”. || 2 ||

“Aquele que medita sobre a ponderação como Brahman, permanecendo sempre firme e tranquilo, obtém os mundos que são permanentes, firmes e calmos. Ele pode, através da própria força de vontade, chegar tão longe como a própria ponderação, aquele que medita sobre a ponderação como Brahman”. Nārada disse:

“Venerável senhor, há algo que seja maior que a ponderação?” “É claro que há algo maior que a ponderação”, Sanatkumāra replicou. “Por favor explique-me isso, venerável senhor”. || 3 ||

Capítulo VI — A Meditação como Brahman.

“A meditação (dhyāna) é, de fato, maior que a ponderação. A terra, do seu jeito, medita. O mundo intermediário, do seu jeito, medita. O céu, do seu jeito, medita. As águas, do seu jeito, meditam. As montanhas, do seu jeito, meditam. Os deuses, do seu jeito, meditam. Os homens, do seu jeito, meditam. Portanto, aquele que dentre os homens alcançar grandeza aqui na terra, dá a impressão de ter realizado um grau de meditação. Enquanto pessoas não instruídas são briguentas, desonestas e maliciosas, aqueles que alcançaram a grandeza dão a impressão de ter ganhado uma porção do fruto da meditação. Medite sobre a meditação”. || 1 ||

“Aquele que medita sobre a meditação como Brahman pode, por sua própria vontade, chegar tão longe quanto a própria meditação, aquele que medita sobre a meditação como Brahman”. Nārada disse: “Venerável senhor, há algo que seja maior que a meditação?” E Sanatkumāra respondeu: “É claro que há algo maior que a meditação”. “Por favor explique-me isso, venerável senhor”. || 2 ||

Capítulo VII — A Compreensão como Brahman.

“A compreensão é, de fato, maior que a meditação. A compreensão permite entender o Ṛgveda, o Yajurveda, o Sāmaveda e o Athārvaveda como o quarto, os os Itihasas e Purāṇas como o quinto, o Veda dos Vedas, as regras dos sacrifícios pelas quais os homen são gratificados, a ciência dos números, a ciência dos portentos, a ciência do tempo. A lógica, a ética, a etimologia, a pronúncia, a prosódia e os ceremoniais, a ciência dos seres elementais, a ciência das armas, a astronomia, a ciência das serpentes e as belas artes, assim como o céu, a terra, o ar, o espaço, a água, o fogo, os deuses, os homens, o gado, as aves, as ervas, as árvores, os animais junto com os vermes, as moscas e formigas, bem como o certo e o errado, o verdadeiro e o falso, o bom e o mau, o prazeroso e o não prazeroso. De fato, se não houvesse fala, nem o correto nem o incorreto seriam conhecidos, nem o certo e o errado, nem o prazeroso e o não prazeroso. A compreensão, certamente, nos permite conhecer tudo. Medite sobre a compreensão”. || 1 ||

“Aquele que medita sobre a compreensão como Brahman alcança os mundos da compreensão e do conhecimento e pode, por sua própria vontade, chegar tão longe quanto a própria compreensão. De fato, se não houvesse compreensão, nem o correto nem o incorreto seriam conhecidos, nem o certo e o errado, nem o prazeroso e o não prazeroso. A compreensão, certamente, permite conhecer tudo. Medite sobre a compreensão”. Nārada disse: “Venerável senhor, há algo que seja maior que a compreensão?” “É claro que há algo maior que a compreensão”, disse Sanatkumāra. “Por favor explique-me isso, venerável senhor”. || 2 ||

Capítulo VIII — A Força como Brahman.

“A força é, de fato, superior à compreensão. Um homem forte faz tremer cem eruditos. Quando um homem é forte ele pode se levantar. Levantando, ele pode assistir os professores. Assistindo-os, ele pode se tornar um discípulo. No convívio, ele pode observar a conduta (do professor), ouvir suas instruções, refletir sobre o que escuta, compreender aquilo sobre o que pondera, agir, e desfrutar os resultados das ações. Pela força, a terra permanece firme, pela força a região intermediária, o céu, as montanhas, os deuses e homens, o gado e as aves, as ervas e as árvores, junto com os insetos, se mantêm firmes. Pela força, o mundo inteiro se firma. Medite sobre a força”. || 1 ||

“Aquele que medita sobre a força como Brahman pode, de própria vontade, chegar tão longe quanto a própria força chega, aquele que medita sobre a força como Brahman”. Nārada disse: “Venerável senhor, há algo que seja maior que a força?” “É claro que há algo maior que a força”, replicou Sanatkumāra. “Por favor explique-me isso, venerável senhor”. || 2 ||

Capítulo IX — O Alimento como Brahman.

“O alimento é, de fato, maior que a força. Por exemplo, se um homem se abstém de alimento por dez dias, mesmo que sobreviva, não será capaz de ver, ouvir, refletir, conhecer, agir ou desfrutar dos resultados dos seus atos. Porém, se obtiver alimento, será capaz a ver, ouvir, refletir, conhecer, agir ou desfrutar dos resultados dos seus atos. || 1 ||

“Aquele que medita sobre o alimento como Brahman obtém um mundo abundante em alimento e bebida. Ele pode, através da própria força de vontade, chegar tão longe quanto o próprio alimento, aquele que medita sobre o alimento como Brahman”. Nārada disse: “Venerável senhor, há algo que seja maior que o alimento?” “É claro que há algo maior que o alimento”, Sanatkumāra respondeu. “Por favor explique-me isso, venerável senhor”. || 2 ||

Capítulo X — As Águas como Brahman.

“As águas são, de fato, maiores que o alimento. Pois, se não houver suficiente chuva, as criaturas viventes sofrem com a perspectiva da redução do alimento. Mas se houver chuva abundante, então os seres se regozijam na certeza de que haverá alimento. São as águas que assumem a forma desta terra, da região intermediária e do céu, destas montanhas, destes deuses e homens, gado e aves, ervas e árvores, animais e insetos. As águas de fato são todas estas formas. Medite sobre as águas”. || 1 ||

“Aquele que medita sobre as águas como Brahman realiza todos seus desejos e fica satisfeito. Ele pode, pela própria vontade, chegar tão longe quanto as águas, aquele que medita sobre as águas como Brahman”. Nārada disse: “Venerável senhor, há algo que seja maior que as águas?” “É claro que há algo maior que as águas”. “Por favor explique-me isso, venerável senhor”. || 2 ||

Capítulo XI — O Fogo como Brahman.

“O fogo é, de fato, maior que as águas. Pois, abrangendo o ar, aquece o espaço. Então, as pessoas dizem: “Está quente queima; vai chover”. Desta forma o fogo se manifesta primeiramente e logo dá lugar à água. Além disso, os trovões rugem, com raios através do céu. Então, as pessoas dizem: ‘Há raios, há trovões; irá chover’. Neste caso, similarmente, o fogo se manifesta primeiro e depois cria a água. Medite sobre o fogo”. || 1 ||

“Aquele que medita sobre o fogo como Brahman torna-se ele mesmo radiante e obtém mundos radiantes, cheios de luz e livres de trevas. Ele pode, de própria vontade, chegar tão longe quanto o fogo, aquele que medita sobre o fogo como Brahman”. Nārada disse: “Venerável senhor, há algo que seja maior que o fogo?” “É claro que há algo maior que o fogo”. “Por favor explique-me isso, venerável senhor”. || 2 ||

Capítulo XII — O Espaço como Brahman.

“O ākāśa, espaço, é de fato, maior que o fogo, pois no espaço existem o sol e a lua, o raio, as estrelas e o fogo. É através do espaço que uma pessoa pode chamar outra; é através do espaço que o outro ouve; é através do espaço que o diálogo tem lugar. No espaço desfrutamos quando estamos juntos e no espaço não nos regozijamos quando estamos separados. No espaço tudo nasce e no espaço tudo cresce. Medite sobre o espaço”. || 1 ||

“Aquele que medita sobre o espaço como Brahman obtém os mundos que se estendem longe e ao largo, luminosos, livres de sofrimento e espaçosos. Ele pode, de própria vontade, alcançar tudo aquilo que o espaço alcança, aquele que medita sobre o espaço como Brahman”. Nārada disse: “Venerável senhor, há algo que seja maior que o ākāśa?” “É claro que há algo maior que o ākāśa”, respondeu Sanatkumāra. “Por favor explique-me isso, venerável senhor”. || 2 ||

Capítulo XIII — A Memória como Brahman.

“A memória é, de fato, maior que o espaço, pois até mesmo quando muitas pessoas se reúnem, se não tivessem memória não conseguiriam ouvir, nem pensar, nem compreender umas a outras. Porém, através da memória, elas podem escutar, pensar e compreender. Através da memória a pessoa reconhece os próprios filhos, as próprias conquistas. Medite sobre a memória”. || 1 ||

“Aquele que medita sobre a memória como Brahman pode, pela própria vontade, alcançar tudo aquilo que a memória alcança, aquele que medita sobre a memória como Brahman”. Nārada disse: “Venerável senhor, há algo que seja maior que a memória?” E Sanatkumāra replicou: “É claro que há algo maior que a memória”. “Por favor explique-me isso, venerável senhor”. || 2 ||

Capítulo XIV — Śraddhā como Brahman.

“A confianca é, de fato, maior que a memória. Alimentada pela confiança, a pessoa dotada de memória recita hinos sagrados, realiza rituais, deseja descendência e riquezas, este mundo e o outro. Medite sobre a confiança”. || 1 ||

“Aquele que medita sobre a confiança como Brahman tem todos seus desejos preenchidos através dela. Suas preces não são em vão. Ele pode, pelo próprio livre arbítrio, chegar tão longe quanto a confiança chega, aquele que medita sobre a confiança como Brahman”. Nārada disse: “Venerável senhor, há algo que seja maior que a confiança?” “É claro que há algo maior que a confiança”, replicou Sanatkumāra. “Por favor explique-me isso, venerável senhor”. || 2 ||

Capítulo XV — O Prāṇa como Brahman.

“O prāṇa é, de fato, maior que a confiança. Assim como os raios da roda estão fixos no eixo, da mesma maneira todos estes (seres vivos) que começam com o nome e concluem com a confiança, estão ligados ao prāṇa. O prāṇa é movido pelo prāṇa. O prāṇa dá prāṇa ao prāṇa. O prāṇa é o pai, o prāṇa é a mãe, o prāṇa é a irmã, o prāṇa é o professor, o prāṇa é o brahmaṇa”. || 1 ||

“Se alguém diz algo inapropriado para um pai, uma mãe, um irmão, uma irmã, um professor ou um sacerdote, as pessoas dizem: ‘Vergonha! De fato, você matou (incorreu num erro tão grave quanto ter matado) seu pai, você matou sua mãe, você matou seu irmão, você matou sua irmã, você matou seu professor, você matou um brahmaṇa’”. || 2 ||

“Porém se, quando o prāṇa os abandona, você cutuca os corpos com uma vara e queima no fogo cada parte deles, ninguém irá dizer: ‘Você matou seu pai, você matou sua mãe, você matou seu irmão, você matou sua irmã, você matou seu professor, você matou um brahmaṇa’”. || 3 ||

“O prāṇa, de fato, é isto tudo. Aquele (conhecedor do prāṇa) que sabe disto, reflite sobre isto, adquire convição sobre isto, torna-se um ativadi, uma pessoa eloquente. Se as pessoas disserem a tal indivíduo: ‘Você é um ativadi’, ele pode dizer ‘Sim, sou um ativadi’. Ele não precisa negar isso”. || 4 ||

Capítulo XVI — O Conhecimento da Verdade.

“Porém, em verdade é um ativadi aquele que se tornou ativadi pelo conhecimento da Verdade”. Então, Nārada perguntou: “Posso eu, venerável senhor, me tornar um ativadi pelo conhecimento da Verdade?” “Para isso, a pessoa deve desejar conhecer a Verdade”. “Venerável senhor, desejo conhecer a Verdade”. || 1 ||

Capítulo XVII — A Verdade depende da Compreensão.

Sanatkumāra disse: “Quando alguém compreende a Verdade, somente então a declara. Aquele que não compreende a Verdade não a declara. Apenas aquele que compreender Ela declara a Verdade. A pessoa deve desejar compreender esta compreensão”. “Venerável senhor, desejo a compreensão”. || 1 ||

Capítulo XVIII — A Compreensão depende da Reflexão.

“Quando a pessoa reflite, somente então adquire compreensão. Aquele que não reflite, não compreende. A pessoa deve desejar compreender esta reflexão.” Nārada disse: “Venerável senhor, desejo compreender a reflexão”. || 1 ||

Capítulo XIX — A Reflexão depende de Śraddhā

“Quando a pessoa possui confiança, somente então consegue refletir. Aquele que não confia, não reflite. A pessoa que tem śraddhā reflite. Deve-se desejar compreender śraddhā.” “Venerável senhor, desejo compreender śraddhā”. || 1 ||

Capítulo XX — Śraddhā depende da Unidirecionalidade da Mente.

“Quando a pessoa possui unidirecionalidade em relação ao ensinamento e ao mestre, somente então śraddhā surge. Aquele que não possuir unidirecionalidade, não terá śraddhā. Somente a pessoa que cultivar unidirecionalidade, terá śraddhā. Deve-se desejar compreender a unidirecionalidade.” “Venerável senhor, desejo compreender a unidirecionalidade”. || 1 ||

Capítulo XXI — A Unidirecionalidade da Mente depende da Concentração.

“Quando a pessoa realiza seus deveres (ie, pratica a concentração), somente então adquire a unidirecionalidade. Aquele que não se atém aos próprios deveres não terá unidirecionalidade. Somente quem realiza seus próprios deveres adquire unidirecionalidade. Deve-se desejar compreender os próprios deveres (a concentração)”. Nārada disse: “Venerável senhor, desejo compreender quais são meus próprios deveres”. || 1 ||

Capítulo XXII — A Concentração depende da Plenitude.

“Quando a pessoa obtém plenitude, somente então consegue realizar seus deveres. Aquele que não tem plenitude não pode fazer o que deve. Somente quem tem plenitude realiza seus deveres. Deve-se desejar compreender a plenitude”. “Venerável senhor, desejo compreender a plenitude”. || 1 ||

Capítulo XXIII — O Ilimitado é Plenitude.

“O Ilimitado é plenitude. Não há plenitude em nada finito. Somente o Ilimitado é pleno. Deve-se desejar compreender o Ilimitado”. “Venerável senhor, desejo compreender o Ilimitado”. || 1 ||

Capítulo XXIV — O Ilimitado e o Limitado.

“Onde a pessoa não vê mais nada, não ouve mais nada, não compreende mais nada, esse é o Infinito (i.e., o que não está disponível para a apreciação dos sentidos ou da mente). Quando a pessoa vê, ouve ou compreende, ela está na esfera da finitude. O Ilimitado é imortal a finitude, mortal”. “Venerável senhor, em que é que o Ilimitado encontra seu suporte?” “Em sua própria grandeza, mas nem mesmo nela (i.e., o Ilimitado está além das dualidades)”. || 1 ||

“Aqui na terra as pessoas usam o qualificativo grandeza para se referir a vacas e cavalos, elefantes e ouro, escravos e esposas, campos e casas. Não estou apontando para algo dessa magnitude”, disse ele, “pois nesses casos cada objeto encontra seu suporte noutro objeto. O que digo é:” || 2 ||

Capítulo XXV — Instrução sobre o Ilimitado.

“Este Ilimitado, de fato, está embaixo. Está acima. Está atrás. Está antes. Está no sul. Está no norte. O Ilimitado, de fato é tudo o que aqui está. A seguir, tem lugar a instrução sobre o Ilimitado com referência ao eu. Eu, de fato, estou embaixo. Eu estou acima. Eu estou atrás. Estou antes. Estou no sul. Estou no norte. Estou, de fato, em tudo o que aqui está”. || 1 ||

“A seguir, tem lugar a instrução sobre o Ilimitado com referência ao Ser. O Ser, de fato, está embaixo. Ele está acima. Está atrás. Está antes. Está no sul. Está no norte. O Ser, de fato, é tudo isto. Certamente, aquele que vê isto, reflete sobre isto, e compreende isto, se regozija no Ser, desfruta o Ser e se delicia no Ser. Mesmo vivendo limitado ao corpo, ele se torna o senhor do corpo e desfruta de liberdade ilimitada em todos os mundos. Mas aqueles que pensam diferentemente disto obedecem aos demais e vivem confinados em seus mundos perecedouros. Eles não gozam de liberdade em nenhum lugar”. || 2 ||

Capítulo XXVI — Autoconhecimento.

“Para aquele que vê isto, reflete sobre isto e compreende isto, o prāṇa flui desde a fonte do Ser, a confiança nasce do Ser, a memória surge desde o Ser, o espaço deriva do Ser, o fogo cresce desde o Ser, as águas fluem desde o Ser; expansão e recolhimento emanam do Ser, o alimento nasce do Ser, a força deriva do Ser, a compreensão vem do Ser, a meditação surge do Ser, a consideração nasce do Ser, o desejo cresce a partir do Ser, a mente deriva do Ser, a fala nasce do Ser, o nome vem do Ser, os hinos sagrados surgem do Ser, os rituais nascem do Ser. Tudo, de fato, deriva do Ser”. || 1 ||

“Sobre isso, se faz a seguinte afirmação: ‘O conhecedor da Verdade não vê morte, nem doença, nem sofrimento. O conhecedor da Verdade vê tudo o que há para ser visto e obtém tudo em todos os lugares’. Ele é uno com a criação, torna-se três, torna-se cinco, torna-se sete, torna-se nove, logo ele é chamado onze, cem, e dez e mil e vinte”. || 2 ||

“Agora é revelada a disciplina para a purificação interna pela qual o autoconhecimento é obtido: quando o alimento é puro, a mente se torna pura. Quando a mente é pura, a memória se torna firme. Quando a memória está firme, todas as amarras são soltas”. || 3 ||

O venerável Sanatkumāra mostrou a Nārada, depois de remover os erros (da sua visão) o outro lado da escuridão. Sanatkumāra é chamado Skanda. De fato, o chamam Skanda! || 4 ||

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